PROJETO AR, ÁGUA E TERRA DESENVOLVE ATIVIDADES NO RIO GRANDE DO SUL

Postado por Sylvio Pélico Leitão Filho 22/10/2019 17:19:30 Geral
Trata-se de um projeto de valorização da cultura indígena e do meio ambiente

No mundo em que vivemos, dominado pela tecnologia, falar em culturas ancestrais, costumes e modos de vida, muitas vezes parece algo inusitado dado o avanço dos processos globalizados e do modo de vida contemporâneo. Porém, não é só de tecnologia que os indivíduos vivem, sendo de fundamental importância a preservação da História, dos costumes e do meio ambiente. 

No Brasil, no século XVI viviam mais de três milhões de índios. Hoje, são menos de 900 mil, sendo 67 mil da etnia guarani (FUNAI, 2015; IBGE, 2010). 

O Projeto Ar, Água e Terra: Vida e Cultura Guarani, realizado com nove aldeias guarani no Rio Grande do Sul, com o patrocínio da PETROBRAS, através do Programa Petrobras Socioambiental, promove o intercâmbio de saberes, sementes e mudas entre as aldeias; educação ambiental; restauração de áreas degradadas e produção de alimentos. A iniciativa prioriza o plantio de espécies vegetais ameaçadas de extinção e endêmicas, em áreas “chaves”, primordiais para a conservação.  

Sempre respeitando as tradições, o tempo, os ciclos da natureza, o gênero, os dons e aptidões pessoais, de forma multi e interdisciplinar e cultural, o projeto desenvolve com as aldeias guarani ações de recuperação e de conservação ambiental, bem como de reconversão produtiva, visando a segurança alimentar e a gestão sustentável dos territórios indígenas. Periodicamente, acontecem também encontros, reuniões, oficinas, trilhas e viveirismo. 

Em sua terceira fase, o Projeto é realizado com nove aldeias guarani em oito municípios do território gaúcho. As principais são: Teko’a Anhetengua (Aldeia da Verdade), em Porto Alegre; Teko’a Nhuu Porã (Aldeia Campo Bonito, Campo Molhado), em Caraá, Maquiné e Riozinho; Teko’a Ka’aguy Pau (Aldeia Vale das Matas), em Caraá e Maquine; Teko’a Kuaray Rese (Aldeia Sol Nascente), em Osório; Teko’a Nhuu Porã (Aldeia Campo Bonito), em Torres; Teko’a Yriapu (Aldeia Som do Mar), em Palmares do Sul; e Teko’a Nhuundy (Aldeia do Campo Aberto, Capinzal), em Viamão. 

Realizado por uma equipe indígena/não-indígena e coordenado por um cacique guarani, José Cirilo, e pela especialista em gestão ambiental e bióloga, Denise Wolf, o Projeto abrange uma área de mais de três mil hectares de biodiversidade da Mata Atlântica e dos Campos Sulinos/Pampas. 

Com resultados muito significativos, o Projeto Ar, Água e Terra: Vida e Cultura Guarani alcançou marcas que revelam o sucesso da iniciativa e do trabalho de total comprometimento:

- Manejo e plantio de mais de 130 diferentes espécies vegetais; 

- Cultivo e plantio de mais de 80 mil mudas; 

- 50 hectares recuperados (restaurados /em restauração florestal) e reconvertidos (em roças/ agroflorestas para a segurança alimentar); 

- Mais de 300 atividades (encontros, reuniões, oficinas, trilhas, etc.) realizadas; 

- 41.337 tCO2 (toneladas de dióxido de carbono) captadas.

Conforme explica a coordenadora, os guaranis são os protagonistas. “Eles apresentam suas demandas e propõem atividades, métodos e soluções. Assim, o projeto se fundamenta no respeito e na valorização da bela cultura Guarani”, enfatiza Denise.

Ela comenta ainda que os saberes indígenas e a relação sustentável com a natureza são fundamentais ao planeta e à sociedade, porém pouco valorizados. “Por isso, a divulgação à sociedade do que fazemos e o comprometimento de toda a equipe, integrada por indígenas e não indígenas, são essenciais para que sigamos adiante. Somente desta forma conseguiremos atingir resultados ainda maiores no que se refere às ações as quais nos propomos, visando a gestão sustentável do ambiente e a valorização dos saberes indígenas, partindo do respeito às especificidades, da relação com a natureza, da segurança alimentar...”, sentencia.

Nas áreas de reconversão produtiva, na forma de roças tradicionais, são consorciadas espécies como batata-doce, mandioca, milho, feijão, abóbora, melancia, palmeiras e frutíferas nativas. As sementes seculares são conservadas pelos próprios indígenas e adquiridas e intercambiadas entre as aldeias, com apoio do Projeto. Os guarani também estão trabalhando temas como etnomapeamento, gestão territorial, compostagem, reciclagem e adubação verde.

 

Acesse as redes sociais do Projeto:

www.projeto.iecam.org.br 

facebook.com/ProjetoArAguaETerra/

  

Mais informações:

Assessoria de Imprensa

Jornalista Andréa da Silva Spalding

deiaspalding@gmail.com 

(51) 99913-6611

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