DIA DE CAMPO BONSUCESSO EM SP APONTA CAMINHO PARA VALORIZAR A MACIEZ DA CARNE

Postado por Sylvio Pélico Leitão Filho 06/05/2016 15:02:02 Pecuária
De acordo com Argeu Silveira, diretor técnico da ANCP, o criador deve se preparar, pois chegará um momento que a qualidade da carne será um índice de exclusão: ou terá carne macia ou estará fora do mercado; pesquisa sobre maciez genômica pode ajudar criador nessa questão

Mais de 60 pessoas participaram do Dia de Campo da Bonsucesso Nelore Zan. Realizado na última sexta-feira, 29 de abril, na sede do criatório, em Guararapes/SP, o palestrante Argeu Silveira, diretor técnico da ANCP (Associação Nacional de Criadores e Pesquisadores) analisou a exportação brasileira e apresentou pesquisa que pode alavancar a maciez da carne, característica que, segundo ele, é um dos desafios que o Brasil precisa vencer para conquistar a valorização do produto fora do país.

O diretor técnico da ANCP comentou que o Brasil é um grande produtor de carne, porém a comercializa por um valor baixo. Para ele, se o criador melhorar a qualidade da carne, o país mudará a realidade do mercado internacional. “O Brasil é um ator muito grande no cenário. Mas vende carne barata. A gente vende a arroba cerca de três mil dólares a tonelada. Essas exportações de gado vivo do Pará para a Venezuela gira em torno de 2500 a 2600 dólares a tonelada. Enquanto isso, nossos vizinhos, como Uruguai e Argentina, vendem a carne pelo dobro e os Estados Unidos cinco a seis vezes mais. Por que isso acontece?  A questão é a qualidade da nossa carne. Ela é uma carne saudável, produzida a pasto, com aspecto de sanidade muito bom, no entanto, no aspecto de qualidade de produto, precisamos melhorar e encarar isso de frente. Não adianta passar o resto da vida fingindo que não temos esse problema. Existe sim e graças a Deus temos como resolver através da tecnologia”, pontua.

Tecnologia pela maciez

Em relação à maciez da carne, o palestrante iniciou destacando a dificuldade de um dos testes para identificar a característica no animal. “A seleção pela maciez sempre foi muito difícil. Uma das possibilidades para o criador analisá-la era através de 1kg de contrafilé. Para tirá-lo, você tinha que rachar a carcaça ao meio. Isso mudava a dinâmica de abate do frigorífico, que não queria mexer na sua linha de abate, pois alterava a velocidade da produção e aumentava o custo. Esse teste, que tinha originalmente, era caro e difícil”, argumenta.   

Também falou da atuação do setor para agilizar os testes. Dentre eles, Argeu mencionou pesquisa da Embrapa Cerrados e doutor Claudio Magnabosco, que traz a maciez genômica. “Através dela, o criador coletará material, sangue ou pelo do animal, que poderá determinar se o animal tem carne macia ou não em qualquer fase da vida. Isso será um grande avanço, pois será uma oportunidade para melhorar a característica que mais nos atrapalha em termos de valorização do produto. Já trabalhamos muito bem as outras características e no momento que melhorarmos a maciez da carne, será possível pensar em agregação de valor. Esse estudo tem mais de 15 anos. É reconhecido pela comunidade científica e aceito pelo mundo inteiro. A tecnologia está pronta, já é dominada. Falta disponibilizá-la no dia a dia, para que o produtor tenha como mandar o seu material. A gente espera que até o final deste ano isso esteja em andamento”, aponta.

“Ou terá carne macia ou estará fora do mercado”

De acordo com Argeu, o criador deve se preparar, pois chegará um momento que a qualidade da carne será um índice de exclusão. “Isso não vai acontecer por um decreto nem pela vontade de uma pessoa, será uma sequência natural. Na medida que tiver volume de carne macia, os produtores vão começar a negociá-la bem. Quem quiser permanecer produzindo genética vai ter que cuidar da qualidade de carne, pois a pessoa que adquirir um animal vai vender a carne potencial pelo dobro do preço da outra. Então, é lógico que ele dará preferência para essa carne de qualidade. Ou terá carne macia ou estará fora do mercado”, destaca.

Em sua palestra, abordou ainda o Índice Bioeconômico, tecnologia que será lançada pela ANCP no dia 13 de maio. As características econômicas da novidade são ponderadas baseadas num rebanho comercial. A ideia é que o MGTE (Mérito Genético Total Econômico) reflita na produtividade do touro, apontando quem tem, por exemplo, mais testículo, permanência no rebanho e rendimento frigorífico. Ou seja, será possível conhecer quanto cada uma das características vale e quanto deve pagar a mais por um touro. “Acredito que a nossa tecnologia vai nortear outros programas a terem também os seus índices econômicos. A gente sabe que o pessoal está se movimentando para fazer o índice. Todos os esforços são para trazer maior lucro ao produtor”, conclui.

Após a palestra, o público conferiu os lotes que estarão à venda no TRIO Bonsucesso, principal evento da fazenda que ocorrerá entre os dias 28 (sábado) e 29 (domingo) de maio. No primeiro dia, 28 de maio, após às 10h, o criatório ofertará cerca de 150 touros/safra 2013. Já no segundo, 29 de maio, depois das 14h, será comercializado aproximadamente 100 fêmeas e aspirações de importantes doadoras e embriões da seleção Bonsucesso. 

Para Michel Caro, proprietário da Bonsucesso Nelore Zan, o Dia de Campo atingiu as expectativas da equipe. “As pessoas que vieram, conversaram com a gente, trocaram ideias e experiências. Foi uma excelente oportunidade para apreciar os lotes, machos e fêmeas, que irão participar do próximo TRIO Bonsucesso 2016. Tiveram informações novas e encontraram pessoas capacitadas para discutir de genética. Toda equipe da Bonsucesso ficou feliz e honrada de contribuir a mais um encontro de qualidade”, Michel Caro.

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